Lendo
Maurice Blanchot não é raro que se chegue a algumas conclusões
sobre o papel do receptor do objeto de arte. Quanto ao leitor do
texto literário _ impossível descrever o conforto de chamá-lo idiossincraticamente assim _ este leitor é, no entanto, aquele que se entrega e encarna (assumindo a carnatura), por vontade
própria, à solidão daquilo que é indizível, que é inaudito e
que faz a transfiguração, a partir da linguagem, num jogo
entrecruzado infindo. Cabe a esse leitor, que é nosso contemporâneo,
desprender-se da forma que ele domina como ninguém, pois os signos
de arte não se efetivam na assumpção, mas na delegação, como
disse certa vez, Wendel Santos.
Mas
todo aquele que se predispõe ao objeto de arte sabe, de antemão,
que não há nada além da solidão dos signos que se reverberam em
fluxos, em linhas de fuga que não começam nem terminam em lugar
nenhum, são rizomáticos os semi-signos que se reagrupam e debandam
sem nenhuma direção aparente. Os semi-signos, por inapreensíveis,
não nos dão nada além de uma experiência que acaba por permanecer
fugaz e ao mesmo tempo reveladora, a saber, o papel da arte e do
fruidor da arte como potencia criativa e não apenas submissão ao
objeto que o auratiza, é a tarefa de se entregar por completo à
união da alma á forma do poema. Na literatura, isto serve não
apenas para o poema, mas principalmente para a narrativa mais
pretensamente realista.
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